domingo, 27 de dezembro de 2009

Recesso!

O blog está em recesso!

Na verdade, eu estou fechada para balanço, cutindo a família, colocando a leitura em dia.

Volto em janeiro, dia 5, prometo.

Bom final de ano e que venha 2010!

Parodiando Bial - Saúde e paz, do resto a gente corre atrás"

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Fui, vi e adorei

Prometo - comentário sem 'spoiler', podem ler à vontade.

Acabei de chegar da pré-estréia de Lua Nova, segundo filme da saga Twilight (Crepúsculo).

Gostei muito do filme. Creio que para os leitores da série vai ser difícil ele decepcionar. Usando Mô (meu namorado quase marido) como termômetro de não-leitor, não-fã e simples acompanhante à ida ao cinema parece que Lua Nova vale como entretenimento - superou suas expectativas. Acho mesmo que ele gostou.

O filme é bem superior ao primeiro - há uma estória sendo contada e não apenas colagens de cenas como no anterior (Twilight - 2008, direção de Catherine Hardwick). O diretor, Chris Weitz, me agradou muito.

As interpretações dos atores também melhoraram. E os efeitos especiais estão ótimos... confesso que estava com medo depois de assistir a algumas cenas liberadas até então.

Fica aqui o trailer para quem ainda não viu o filme... ou para quem quer relembrar os meses de ansiedade.

Enfim... valeu a espera... video

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Esclarecendo post anterior - aquele sobre Edward Cullen

Realmente foi "entre tarefas" meu último post. Vamos aos fatos:

Graças à minha irmã caçula conheci a saga Crepúsculo (Twilight). Confesso que resisti o quanto pude... evitei os livros, desviei do filme... mas na minha última ida a Sampa, em setembro, sofri uma "intervenção" - vi o filme, li, durante a minha estadia de cinco dias, dois dos quatro livros da série e, chegando em Sanca, li os outros dois livros e o quinto volume inacabado (que só existe na net). E então me tornei mais uma das fãs de Edward Cullen, o vampiro "camarada" do livro.

O mais engraçado é que nunca fui muito fã de filmes de vampiro - Drácula de Bram Stoker (1992, F.F. Coppola) é a exceção que confirma a regra... ótima estória, ótimo diretor e elenco que dispensa comentários... Tá bem. Eu também adorei Entrevista com Vampiro (1994, Neil Jordan). Mas passei ilesa pelo casal Buffy, a caça-vampiros do final da década de 90, e seu amado Angel, um vampiro!.

Dessa vez, porém, fui mordida! E como tudo hoje em dia tem desdobramentos mil na net, descobri os tais sites de fãs da saga - como o Foforks e o TwilightMoms - que citei no post anterior. No Foforks, ainda fiz outra descoberta - a fanfic (abreviação de fan fiction, estória escrita por fã que complementa ou modifica livro, filme ou estória em quadrinhos ao qual faz referência - por falta de definição melhor, fico com essa adaptada do wikipedia): há finais alternativos e complementos à saga escritos por fãs e postados em inúmeros sites. Uma coisa que aprendi com Crepúsculo é que site de não-fãs podem ser tão divertidos quanto os de fãs e render produtivas discussões, como no Twilight Haters Brasil - viva a democracia!

Ainda me vi inclinada a dar uma chance à nova leva (ou edição requentada) de contos, livros, filmes e seriados sobre os sugadores de sangue que tentam aproveitar a fase bem sucedida do tema.

Críticas literárias à parte, a maioria dos textos é diversão pura... sem compromisso.

E diversão faz bem...

Por falar em diversão, amanhã é o dia da pré-estréia de Lua Nova, o segundo filme da saga, baseado no segundo livro. Estarei lá!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rapidinho

Essa é só para provocar, um post relâmpago!

Com tempo desenvolvo mais o assunto - também fui mordida por Edward Cullen!
Faço parte das TwilightMoms (veja esse blog!), pessoas com mais idade (estou me sentindo a minha avó) que curtem a saga da titia Steph (é assim que os sites de fãs se referem à autora, que por sinal tem a minha idade!).

E faltam dois dias para Lua Nova!
Sim, para mim só faltam dois dias porque vou à pré-estréia às 23:55h do próximo dia 19!
E morram de inveja - ingresso a R$8,00, sem fila, vantagem de se morar em Sanca. Brincadeirinha, não morram de inveja, venham prestigiar o Cine São Carlos.

P.S.: Um dos sites de fãs que indico - Foforks.
E para quem está na dúvida... sim, dá para ser fã de Edward Cullen e manter seu relacionamento... Mô (meu namorado, quase marido), G.A.D. é compreensivo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Alô, alô, agora é sério!

"Mostrando a minha identidade,
eu posso provar a verdade a essa gente,
como eu sou da Mocidade Independente"

Segundo fontes seguras (pelo menos até agora!) 2010 terá carnaval em P.G., Magé, RJ, o palco dos mais memoráveis carnavais da minha infância e adolescência.

Fiquei eufórica com a notícia... adorava carnaval. Depois de adulta ainda cheguei a "pular" no litoral paulista com um grupo de amigos por alguns anos. Também foram bons momentos... Merecem um post a parte.

Mas Carnaval em P.G. era o máximo! Fazíamos fantasia, primos e primas brincando na matinê juntos. Em um ano éramos quase dez meninas vestidas de Viúva Porcina - entre primas e colegas. Tia Nilda costurava as fantasias... Teve época de termos uma fantasia para cada dia de carnaval - uma para o domingo, uma para a segunda e outra para a terça-feira.

Nessa época eu me dividia entre a paixão pela Mocidade Independente e minha admiração pela União da Ilha... Na verdade, tirando a Mocidade, eu só torcia mesmo pelo melhor samba-enredo... era o momento de grandes sambas...

Um que me lembro bem, em1985, Ziriguidum 2001, da escola de Padre Miguel, está logo abaixo. Eu estava com dez aninhos...

Desse mundo louco
De tudo um pouco
Eu vou levar pra 2001
Avançar no tempo
E nas estrela fazer meu Ziriguidum
(meu Ziriguidum)
Nos meus devaneios
Quero viajar

Sou a Mocidade
Sou Independente
Vou a qualquer lugar (bis)

Vou à Lua, vou ao Sol
Vai a nave ao som do samba
Caminhando pelo tempo
Em busca de outros bambas (bis)

Quero ver no céu minha estrela brilhar
Escrever meus versos à luz do luar
Vou fazer todo o universo sambar!
Até os astros irradiam mais fulgor
A própria vida de alegria se enfeitou
Está em festa o espaço sideral
Vibra o universo hoje é carnaval
Quero ser a pioneira
A erguer minha bandeira
E plantar minha raiz (bis)


Aliás, nesse carnaval de 1985, não teve samba ruim... era um melhor que o outro. O da Caprichosos de Pilares, inclusive será reeditado em 2010, E por falar em Saudade. O da Mangeuira, Abram alas que eu quero passar, também era lindo.

Quando "crescemos" eu e uma das minhas primas mais chegadas determinamos - não queríamos fantasia, não éramos mais crianças (!!!). E lá foi minha tia costurar conjuntos de bermuda, saia para podermos "pular" o carnaval. E já podíamos ir ao baile à noite... eram bailes de "cor" (azul e branco, vermelho e preto, branco e preto) na sexta e no sábado; no domingo, na segunda e na sexta continuávamos a ir à matinê (que era imperdível) e também íamos ao baile à noite - eram cinco noites e três matinês... Como eu aguentava?

Uma vez, depois de volta de um baile à noite, eu não acreditei: eu estava com uma calça jeans com elastano, super grudada (anos 80! na época, eu podia e me garantia!) e quando fui tomar banho para ir dormir, nunca vi tanto confete grudado no corpo... até hoje não sei como isso aconteceu. Tá eu pulei, sambei, me acabei de tanto cantar e dançar, mas nada justificava aquela quantidade de confete grudado no corpo... foi engraçado!

E tem duas coisas que me fazem recordar aqueles carnavais - duas músicas, na verdade... uma é o hino do Alicerce Futebol Clube (Somos alicerce, alicerce de coração, salve o alicerce, alicerce tantas vezes campeão!, detalhe: nunca vi o Alicerce jogar) e outra é Orquestra dos Bichos (Có có có, có có có có có có có có, A galera explodiu, Foi assim que surgiu, A galinha cantora, Mais famosa do Brasil); nessa última a coreografia do cantor da banda imitando o bater de asas da galinha e todo mundo fazendo igual era hilário! (salve Cadão!)

Então galera, quem estiver a fim de curtir um carnaval daqueles, prepare a fantasia e dirija-se à Cooperativa Pau Grande.

sábado, 7 de novembro de 2009

Entregando a idade

Deu no UOL, Exposição comemora os 35 anos do Playmobil, no Rio.

Sempre sonhei ter aqueles bonequinhos playmobil. Nunca ganhei. E o forte apache? Tinha boneco soldado, boneco índio, cabana...

Matava minha vontade com os dos meus primos... acho que eles tiveram... não me lembro mais de quem era, só me lembro de tentar brincar com os meninos.

Acho que não pensavam que era presente de menina... ninguém nunca me deu um Playmobil!!!

Tive Fofolete, aliás várias... aquelas bonequinhas gordinhas que vinham numa caixa de fósforo. Relançaram na minha época de facul... até comprei algumas...

Mas e o meu Playmobil??? Se vier a Sampa, vou tentar ir a essa exposição. Fica a dica aos nostálgicos!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Para quê querer voltar - Seção Musical

Como já escrevi aqui em "Para quê querer voltar - Seção Gastronômica", às vezes uso das lembranças gastronômicas, musicais, etc para me transportar a momentos de felicidade...

Aqui, na seção musical, primeiramente é preciso esclarecer uma mania que tenho desde a mais tenra idade: colecionar letras de música (a maioria em inglês). Não me satisfazia com a fita k-7 personalizada (tempo do onça!) gravada do rádio (muitas vezes da Alpha FM, de Sampa), sempre corria atrás das letras e traduções. Acho que tudo teve início ainda no ginásio, quando a professora de inglês nos presenteava com as letras impressas por um curso (acho que era do Fisk). Assim nasceu meu primeiro caderno de letras. Munida dele cantava minhas músicas tanto nos momentos de melancolia quanto nos de euforia (observação: não sou afinada no canto, mas tudo bem).

Outra mania que nutro há tempos é a de "caçar" uma música. Nos primórdios, às vezes ouvia um trecho de uma música no rádio ou em filme e me apaixonava - só me dava por satisfeita quando descobria quem era o intérprete, gravava a música na fitinha e obtinha a letra.
Achar a letra, na época, era o mais difícil... às vezes recorria à professora de inglês, outras vezes comprava a Bizz Letras Traduzidas ou ainda comprava as revistas com cifras para violão - detalhe: não toco nenhum instrumento.

Nas décadas de 80/90, no início da era dos videoclipes no país, não me contentava com a gravação da faixa musical... o vídeo gravado em VHS direto do Clip Trip (da TV Gazeta, pré-MTV) também era importante.

Eram outros tempos. Agora na era da internet meu hobby ficou tão mais fácil! Exemplo: já faz um tempo, assistindo a um seriado na Tv a cabo, cismei com uma música tocada no final do episódio. Momentos depois: site de busca, site do seriado, site de vídeos, site de letras... em menos de quinze minutos já saciara minha curiosidade e alimentara minha coleção com mais uma música... linda, por sinal.
O caderno foi substituído por uma pasta de arquivos; a fitinha k-7 deu lugar às faixas em mp3 e os vídeos em VHS agora são guardados na própria net nos meus favoritos do youtube.

Aliás o youtube auxilia também de outra forma. Por exemplo, uma das minhas canções favoritas da década de 80 é Time after time, da Cyndi Lauper. Aliás, um dos primeiros clipes que gravei em VHS... Em 1992, no filme Vem Dançar Comigo (Strictly Ballroom, de Baz Lhurmann) aparece essa música cantada (muito bem) pela atriz do filme Tara Morice e Mark Williams. Realmente não lembro de ter notado antes disso uma outra regravação da música da Cyndi. Depois do youtube descobri outras tantas versões de Time after time, desde a do Everything but the girl até à acústica de Shaenom Adamson (esta, minha favorita).
Além de facilitar o acesso a outras interpretações feitas por diversos artistas das minhas canções prediletas, o site de vídeos mostra as versões dos fãs, ex-anônimos, que muitas vezes são preciosidades no estilo voz-violão-webcam.

O meu último achado foi uma música cantada no final do filme Beleza Roubada (Stealing Beauty, 1996, de Bernardo Bertolucci). Notem: já o vi e revi diversas vezes, acho até que a primeira vez foi no cinema (esse filme merece um post a parte... fico devendo!) e já tinha reparado na música... mas só fui atrás dela há pouco tempo... Reconheci a voz do intérprete, perguntei pro Mô - não parece Fine Young Cannibals? - pesquisa aqui e ali e descobri! - era o vocalista da banda, Roland Gift, em carreira solo, cantando Say it ain't so.

Mas o melhor da era da internet é o efeito colateral... buscando informações sobre o Roland Gift achei o blog Querido Anos 80... Uma verdadeira pérola... pra quem gosta dessa época, indico.

sábado, 24 de outubro de 2009

A lua

Vi a lua ontem... com telescópio montado num parque de Sanca.

A primeira vez que observei a lua com um instrumento foi na escola técnica... usando a luneta do teodolito... aulas de Topografia - salve Big, Big!

O aparelho não era apropriado para tal mas serviu-nos muito bem. Lembro-me que fiquei deitada e algum colega segurou o teodolito sobre mim (sem o tripé, claro!)... aquilo era pesado!

Ontem foi mais profissional, contávamos com o auxílio de alunos da Ufscar e equipamentos adequados. E o efeito surpresa também foi bom... acabávamos a caminhada terapêutica - eu e minha companheira e amiga de andança e de papo - e o pessoal da Ufscar já estava com o circo armado em pleno kartódromo (nosso parque do bairro!). Senti-me como as crianças que logo se juntaram à trupe de astronomia - fascinada.

E hoje, escrevendo aqui, lembrei-me de um momento precioso: meu pai tentando me fazer entender os movimentos de rotação e translação usando pincel de barbear como planeta Terra e uma lanterna como sol. Não lembro o que teria sido a lua...

Sempre fui fascinada pela noite... pela lua... é ela que me faz companhia nas madrugadas criativas ocasionadas pela minha insônia.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

GP do Brasil ou Minha melhor amiga

No último domingo me lembrei dos meus domingos do final da década de 80 e início dos 90 - os meus domingos com Ayrton.

Já fazia tempo (anos, com certeza) que não assistia a um Grande Prêmio de Fórmula 1 do início ao fim... quis dar uma chance ao Rubinho. Não porque ele tivesse obrigação de vencer - corrida e campeonato - mas a luta pela sua vitória me parecia justa e emocionante depois de quase ter se aposentado.

Confesso que também assisti ao GP por culpa. Nunca dei uma chance ao Rubinho. Sempre fui fã de Ayrton Senna desde os tempos da Lotus... mais dele do que do automobilismo.

Via a corrida com os olhos grudados na TV, torcendo por uma entrevista após seu término - adorava vê-lo falar... a timidez, no início... a segurança, que adquiriu com o tempo, nas explicações de algum acerto ou porventura deslize. Eu o adorava.

Num domingo, dia de corrida, uma amiga me convidou para sairmos... como assim??? (hello!!! dia de corrida é sagrado!). Não sei por quê eu fui, realmente não me lembro. Acho que ela havia acabado de obter sua carteira de habilitação... acho que foi isso... seria a nossa primeira saída com o novo documento e seu pai havia emprestado o carro. E então saímos.

E sabe onde ela me levou? Era dia de GP do Brasil em Interlagos... e ela me levou até lá ( até onde era permitido chegar, ok! eu admito) e disse: ninguém nunca te deixou tão perto do Ayrton como eu.

Essa foi só uma das inúmeras coisas "fofas" que ela fez por mim.

Eu tenho, desde criança, um filme favorito - Laços de Ternura (Terms of Endearment, 1983, James L. Brooks). Eu sempre que o vejo choro, quase do início ao fim. Um dia, essa amiga me deu uma fita (VHS, gente, eu sou velha!) com o filme gravado direto da "sessão da tarde"...tempos depois me deu o livro, ela era assim... gostava de me ver feliz... era a pessoa que mais me compreendia nos anos difíceis da adolescência (no meu caso, os anos da escola técnica).

Quando ocorreu o acidente em Imola, ela foi a primeira pessoa que me ligou, ainda no domingo, para saber como eu estava.

E nesse domingo de GP do Brasil, no meu "retorno às pistas", lembrei-me do Ayrton. E lembrei-me dela.

Embora o tempo e as circunstâncias da vida tenham nos afastado, ainda sinto o mesmo carinho por ela.
E o rótulo de "minha melhor amiga", como a gente diz quando criança, reservo só para ela.

E o Rio, continua lindo?

Logo após o Rio ser anunciado como sede das Olimpíadas de 2016, após a euforia natural - uma olímpiada na minha cidade!!! - veio a queda na realidade. Pensei: temos de ser positivos com responsabilidade; são muito dinheiro e esforço que podem ser transformados em caixa 2 de muita gente.

Recebi vários e-mails nos parabenizando pela conquista (nós - como brasileiros e principalmente cariocas da gema!), mas aí vi um vídeo no uol (olha a Fê aí, gente!) que me tranquilizou - mais gente estava cuidadosa nas comemorações. Tudo isso é muito bom - Copa 2014, Olimpíadas 2016, mas o cotidiano não tá indo nada bem. Não nos ceguemos!!!

O vídeo é "Escuta essa! Rio 2016, cacildis! Yes, we créu, Obama!" de 3 de outubro, do UOL Notícias, o título já é auto-explicativo e já merece nota.
Demorei a comentar aqui porque estava reclusa em meu cantinho, ok?

Mas vale a pena dar uma olhada... além de termos de observar de perto a administração desses recursos para os jogos olímpicos, temos de continuar a eterna vigília sobre todo o restante, como mostra o vídeo.

Na semana passada um amigo voltou do Rio e então percebi o meu grau de amor e saudade pela minha cidade... perguntei sobre os lugares que visitou, qual percurso fez para ir a tal lugar e o que viu e o que deixou de ver pelo caminho... no final da conversa o meu sotaque já tinha voltado (normalmente só denuncio minha condição carioca quando falo sardinha).

E depois do episódio do helicóptero abatido? O meu Rio é lindo mas já passou da hora de ser visto e compreendido além da sua beleza.

E quem vos fala é uma carioca de corpo e alma!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Só para dar sinal de vida

Essa semana retomo as minhas atividades.
Confesso que fiquei um pouco entorpecida pelo meu aniversário - não sei se pelo envelhecimento em si ou qualquer insegurança que ele possa ter me trazido. Ainda não sei...
De qualquer forma, estou comprometida em retomar o blog... Pode aguardar Fe!

domingo, 30 de agosto de 2009

Outra sobre cinema

Estava com a vida tão corrida que me esqueci de comentar: assisti ao Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles. O filme é ótimo. Estou louca para ler o livro.
E o making of que está passando na rede Telecine também é muito bom. Do que somos capazes se nos tiram o chão? Até onde vai a nossa civilidade? São algumas das questões lançadas pelo filme.

E gostei como cinema, também - a luz, os enquadramentos, tudo contribui para contar a estória. Existem livros que descrevem a cena tão ricamente que a imagem está lá, traduzida em palavras no papel. Não sei se o livro do Saramago faz isso, de qualquer forma a sensibilidade do diretor fala mais alto quando decide como filmar (vide Anjos e Demônios e aquele "estrago" de filme - lembro que quando li o livro há quatro anos, falei pro Mô - isso vai virar filme, o roteiro está aqui. Mas cada um interpreta o que lê de uma forma, né?).
Simplesmente adorei o filme do Meirelles.

E na onda veja o filme e leia o livro, agora estou louca pra ver Tempos de Paz, que é baseada na peça do Bosco Brasil, Novas Diretrizes em Tempos de Paz. E vou ler o texto também, já descobri no Submarino.
Na próxima semana devo estar em Sampa e devo ver o filme. Comento aqui depois.

Divã - O filme - I

Assisti ontem ao filme Divã, com a Lília Cabral.
Assustadoramente me identifiquei demais com a personagem principal, mulher de 40 e tantos anos, casada a outros tantos, com dois filhos. Detalhe: acabei de fazer 34 anos, não tenho filhos e moro há dois anos com meu namorado (ok! namoramos há 12 anos, a estória toda tem 15, enfim...) - então como posso me identificar tanto com a personagem???
Ainda estou processando isso dentro de mim, então vou deixar meus comentários sobre a estória para a postagem Divã - O filme - II, com a missão de esclarecer o porquê de ter ficado tão perturbada com o filme. Prometo.
Mas vamos ao que interessa - é um filme bem divertido. Indico!

Saia Justa - Lei Antifumo

No Saia desta semana tive uma revelação: Mônica Waldvogel também é fumante. E, como todos nós fumantes do Estado de São Paulo, se sentiu excluída da sociedade saudável dos não-fumantes.
O exemplo dado pela jornalista do momento de percepção da vida dura que nos aguarda foi o aeroporto. É um lugar que realmente "pede" um cigarro: durante a espera da partida, a espera da chegada de alguém, entre um café e outro uma tragada ia bem. Ia, pretérito imperfeito. Hoje não vai mais. E olha que há muito não se fuma nas aeronaves (eu realmente achava absurda a separação dos assentos fumante/não fumante no mesmo espaço enfumaçado) mas como não fumar antes da partida ou chegada ou antes de entrar no táxi (sim, porque nós fumantes civilizados não fumamos no táxi). E a jornalista pintou um quadro surreal da situação - o fumante fora dos domínios do aeroporto, ou seja, fora da projeção da marquise externa, sob chuva ou sol escaldante com o seu cigarrinho na boca. Não foi exagero, passei por situação semelhante há alguns dias.

Há duas semanas precisei ir a Ribeirão Preto por conta de um curso. Fui de ônibus. O trajeto São Carlos-Ribeirão é feito em pouco mais de uma hora e meia. Na volta tive de esperar três horas para retornar a Sanca (o final do curso não bate com os horários da linha). Era de se esperar que eu fumasse um cigarro neste período, não é? Depois de ler, fazer palavras cruzadas, jogar Sudoku no celular, ouvir rádio, teve uma hora que tive de sair para fumar. E aí começou meu desespero. Procurei por uma área sem o já famoso mapa paulista com a inscrição - É proibido fumar neste local. E qual não foi minha surpresa quando descobri que fora da rodoviária, na calçada, não havia um só pilar sem a placa de aviso - É proibido fumar neste local, ou seja, também é proibido fumar na calçada, no passeio público. Resolvi minha situação atravessando o estacionamento descoberto da rodoviária e parando numa pracinha suspeita. Assim que parei e acendi o meu prazer fui abordada por 3 rapazes me pedindo "um" emprestado (como se empresta cigarro?) quando era óbvio que preferiam estar fumando outro tipo de cigarrinho - preconceitos à parte, foi uma constatação baseada em observação visual e olfativa. Logo disponibilizei cigarro e fogo aos meus companheiros de fumaça. O que poderia ser medo pelo local onde me encontrava e pelas companhias logo se transformou em solidariedade - sinto-me tão transgressora quanto eles, já que o tabaco se transformou em substância proibida. Sim, isto é fato e não exagero. Bem falou ontem no programa Betty Lago - cigarro está proibido, mesmo sua venda sendo permitida e seus impostos bem arrecadados pelo governo.

Todos concordamos que fumar é prejudicial à saúde, que é preciso uma certa civilidade (como ponderou Marcia Tiburi no caso do cigarro) para se fazer uso de qualquer vício: assim como fumar à mesa é muito desconfortável para quem está na mesa ao lado, presenciar cenas de bebedeira quando se está sóbrio é um saco. Aí poderiam dizer que estou exagerando - ninguém tem a saúde prejudicada pela bebedeira da mesa ao lado. E eu responderia - tem gente que em vez de perder a saúde perde a vida por conta da bebedeira alheia; e olha que não estou falando só do perigo de motoristas alccolizados mas daquelas brigas que ninguém sabe como começou mas acabou no hospital. Exageros à parte é muito chato ser policiado por suas escolhas.

Há muito tempo fumo somente em locais abertos. E a minha definição de local aberto parece ser diferente da do governo. Porque calçada é um local aberto. Assim como varanda de bar. Nunca fui daquelas que fogem para a escada de incêndio fumar escondido; se preciso fosse, descia para fumar. Agora é preciso descer e sair de baixo das marquises ou como se diz na minha área, sair da projeção das marquises e ir às ruas para acender um cigarro.
Tomara que quando sairmos às ruas aproveitemos para nos manifestar contra essa lei absurda e outros tantos desmandos dos nossos tempos.

P.S: O governo de São Paulo tem um portal sobre a lei antifumo. E logo no início vem o slogan:
Lei Antifumo
Agora é lei. É proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo em todo o Estado de São Paulo.
Gente! Então o problema está na definição de ambiente fechado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Natureza Morta

Ontem fomos eu e Mô assistir à peça Natureza Morta, texto de Mário Viana, monólogo interpretado por Anna Cecília Junqueira com direção de Eric Lenate na Casa do Médico, aqui em Sanca.
O texto foi livremente inspirado na tela Natureza Morta ( A Assassina) de Edvard Munch.
O autor literalmente viaja na tela e se infiltra na personagem feminina do quadro - a assassina - dando voz a seus devaneios. É uma conversa entre a assassina e o pintor que retrata a cena. Como bem definiu o diretor ontem, no debate pós espetáculo, a peça é uma montanha-russa de sentimentos.
O que no início me pareceu a justificativa de um ato impensado, a conversa da personagem com o pintor imaginário me fez pensar, posteriormente, numa morte metafórica. Suas palavras me pareceram muito mais uma justificativa para si mesma sobre o fim de um relacionamento do que um homicídio - sabe aqueles pensamentos que nos martelam após tomarmos uma decisão importante, que vêm e vão e vêm novamente e ficam e mudam e somem e voltam, aqueles pensamentos que ordenamos que sumam para nunca mais voltar mas retornam e nos fazem refletir sobre nossos rompimentos?
Logo agora, após meu aniversário, onde pude refletir (e muito!) sobre as minhas próprias escolhas e os rompimentos que fiz por conta delas, deparo-me com essa bela peça.
E o debate pós espetáculo foi também muito interessante. É sempre bom lembrarmos como somos diferentes, como percebemos o mundo de forma particular e única, cada questionamento/depoimento sobre a peça mostrava isso claramente.
Enfim, foi um bom programa.
O diretor disse que após uma semana, por experiência com amigos, as impressões sobre a peça mudam.
Se qualquer novidade surgir nessa minha mente inquieta, eu aviso.

P.S.: Parece que teremos mais eventos desse tipo aqui em Sanca. É só acompanhar o Paracatuzum.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Arquitetura 1

Estou com pouco tempo para escrever, G.A.D. muito trabalho nesse início de semestre.
Reforma, obra, projeto.
Venho a internet mais para pesquisar do que para escrever.

Mas o trabalho está valendo a pena. Apesar da pouca remuneração do mercado.

Não é dado muito valor ao trabalho intelectual, ao projeto em si, à concepção de idéias.
Também não é muito reconhecido o "savoir-faire", aquele jeito de se realizar uma tarefa qualquer de forma específica. Tornamo-nos a geração do faça você mesmo. E isso em tudo, em todas as áreas.
Faça o seu próprio pão, seu próprio jornal, sua própria homepage, seu próprio projeto, realize sua própria obra. E os especialistas tem de cada vez mais se especializarem para ter um diferencial.

São os novos tempos.

Mas tudo bem. Vamos nos adaptando e seguindo em frente.

Parei de reclamar da vida. Agora me adapto. E continuo a jornada. Graças a Deus.

sábado, 18 de julho de 2009

O sucesso de um...

E lá vou eu para o teatro de novo.

Som & Fúria.

A minissérie global estreou e eu fui acompanhando, como sempre, meio desconfiada.
Fui gostando. Ritmo rápido, sem "mini-flashback" do ocorrido no capítulo anterior - recurso que parece ser a mais nova regra da casa (vide novela das oito).

Não sei se os profissionais do teatro estão gostando, mas eu, mera espectadora, estou adorando.
Os bastidores da peça, os bastidores do ofício, podem estar mostrando uma realidade exagerada, como qualquer obra de ficcção que se debruça sobre o cotidiano com lentes de aumento. Acho, porém, que, se há exageros, estes são poucos.
Não por ter algum conhecimento na área teatral, mas por me ver ali e identificar situações comuns a qualquer profissão. As disputas de egos, as mesquinharias cotidianas parecem fazer parte da realidade, enfim, de qualquer ser humano que tenta vencer em seu métier.

Mas o que me fez querer escrever sobre a minissérie, mais do que por sua qualidade técnica e narrativa, foi o sexto episódio, que foi ao ar anteontem.

Reconhecemos, claro, os maus colegas, os que tentam nos prejudicar sem nehuma razão aparente; os invejosos que torcem para o nosso insucesso; os dedos prontos para apontar os mínimos deslizes e transformá-los em sinônimos de incompetência.
Devemos, porém, reconhecer também a figura do mentor, que está pronto a nos dar a primeira chance, que aposta em nosso potencial e nos ajuda a corrigir falhas que porventura ocorram durante nosso processo de amadurecimento na profissão.

No citado episódio, o diretor de Hamlet, interpretado por Felipe Camargo, dá forças ao iniciante que se prerara para a sua estréia como protagonista da mencionada peça. A cena me emocionou. O diretor apóia, acalma e incentiva o colega inexperiente - antes, durante e depois da peça. E o sucesso de um se torna a vitória de todos.

A frase é batida, lema de técnico de futebol, lema de auto-ajuda empresarial (liderança participativa), mas é de uma verdade!

Nos tempos de escola, nos tempos de colégio, nos tempos da faculdade, a figura do mentor, hoje, me parece fácil de identificar. Nem sempre é o professor de quem mais gostamos, muitas vezes é aquele que mais nos exige.
Já na vida adulta parece ser mais difícil apontar quem nos deu aquele empurrão ou sacudidela na hora certa.

Tarefa difícil mas não impossível.

E eu então achei que o tal episódio de Som & Fúria foi uma homenagem aos mentores.
E este texto é a minha aos meus.
Espero também um dia ter sido, ou ainda ser, a autora de um empurrão amigo a alguém.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael - 1958-2009

Ontem fiquei acordada até uma da manhã vendo as homenagens ao Michael.
O Globonews reprisou alguns documentários sobre o Rei do Pop.

Vendo pela enésima vez o clipe e makink of de Thriller não pude deixar de lembrar meus próprios passos de moonwalking - aqueles passinhos para trás.

Como tantos da minha geração tentava dançar como o Michael. Via e revia os clipes tentando acompanhá-lo. Uma vez, numa festa de encerramento do ballet, comecei a dançar Billie Jean freneticamente, sozinha num canto e quando percebi todos me observavam...Foi o máximo. Alguns vinham me perguntar como eu havia aprendido, se sabia ensinar, eu devia ter uns nove/dez anos.

Eu era fã de carteirinha.

Acho que por isso não curti muito Menudo. Quem gostava de Michael não gostava de Menudo, né?

A primeira vez que vi Thriller foi numa festa de aniversário de uma filha de uns amigos da minha mãe. A criançada toda parou para ver o clipe quase filme.

Depois veio Beat it e a coreografia das gangues, mais uma para tentar imitar.

A cada clip um novo desafio surgia.

Quando ele esteve no Brasil, em 1993, não deu para ir ao show mas ainda acompanhava de perto seus clipes - sim, acompanhava sua carreira através dos videos e não dos discos.

No Entre Aspas de ontem, Mônica Waldvogel entrevistou a Paula Lima e um crítico musical. A Paula se revelou uma grande fã dele, também tentava dançar como ele e tudo.

Plásticas, embranquecimento, casos de polícia, enfim, bizarrices à parte, ele foi um grande artista.

Hoje pela manhã o noticiário dizia que as manifestações dos fãs estava mais para celebração do que para tristeza. Achei bom.

Para entrar no ritmo das celebrações, a paródia de Thriller de um centro de reabilitação nas Filipinas, direto do youtube.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Para quê querer voltar? - Seção Gastronômica

No último encontro do ciclo de debates sobre arte na Oficina Cultural aqui de Sanca, assistimos a uma amostra do trabalho do grupo de teatro Acaso - formado por alunos da USP-SC.

Sempre que vejo uma peça lembro-me da minha irmã, Fê. Ela ainda era uma coisinha miúda quando participou de uma peça nos bons tempos de Aliança. Só tinha uma linha de texto mas estudou-o com cuidado. Apoiando-se no espaldar de uma cadeira dizia - "Para quê querer voltar quando do que se tem saudade não é daquele lugar, e sim daquela felicidade."

Penso que a saudade que sentimos das pessoas, dos lugares, nada mais é do que saudade do sentimento que nos invadia quando junto a certas pessoas, certos lugares.

Tenho em minha memória lugares, pessoas, músicas e comidas que me transportam para instantes de felicidade. E vez ou outra faço uso desse recurso - ou para me sentir bem ou para prolongar algum prazer.

Ando tão caseira, cozinhando seguindo receita!, que tenho pensado muito nas guloseimas que fazem parte da minha memória culinária. Só nessa semana fiz pão de minuto, torta salgada, biscoitinho de queijo (em breve posto algumas receitas aqui).

E lembrei-me dos meus clássicos momentos de prazer gastronômico:
  • macarrão bicolor do meu pai - o clássico dos domingos. Macarrão à bolonhesa com molho branco por cima levado ao forno para gratinar;
  • sacolé de mate do meu pai - logo após a separação dos meus pais (a penúltima) fui visitá-lo e ele me presenteou com isso. Sou viciada em chá mate gelado mas foi a primeira vez que vi/experimentei sacolé de mate;
  • lombinho recheado com ameixa da minha mãe - o clássico dos Natais;
  • leite quente com Quick de morango - a bizarrice da lista. A minha vó "Glantina" fazia o leite ainda de madrugada, nos acordava - eu e Fê bebíamos o leitinho na cama, e depois voltávamos a dormir. E pensar que não bebo leite há anos.
  • empadão de frango da vó "Glantina" - mundialmente famoso, desmanchava na boca;
  • macarrão com feijão da Maria, na casa da vó "Milinha" - o macarrão era alho e óleo com uma pitada de manteiga e o feijão preto;
  • cachorro quente da tia Nilce - o molho levava carne moída e o tempero tradicional da tia;
  • croquete da tia Nilce - de qualquer coisa, acho que minha tia conseguiria fazer um bom croquete até de pedra;
  • bolinho de aipim da Barraca da Igreja - o mais gostoso bolinho de aipim que já provei. Tradição da festa de Sant'Anna em Pau Grande (PG), RJ;
  • rissole (escreve -se assim mesmo, segundo o Michaelis) de frango de Chiquinha, no bar do Oni, PG - foi quando começou minha paixão por salgadinhos fritos. Ela fritava na hora pra mim às vezes...quentinho...;
  • picolé de coco queimado ou coco com morango do Biriba, bar de PG - o picolé caseiro da época de férias no Rio;
  • berinjela (segundo o Aurélio) ou beringela (segundo o Houaiss) à parmegiana da "Telinha"- o clássico dos clássicos do jantar nos tempos de Caperuçu;
  • torta de nozes - minha humilde contribuição a essa lista, uma tradição que durou três anos. Lembro que na segunda vez que fiz a receita, a pedidos, descasquei as nozes chorando (a idiota descascava as nozes na raça - a pele interna da noz, sabe?).

Essas são algumas das receitas que me fazem viajar no tempo e espaço. Vez ou outra faço uma delas para me lembrar dos bons tempos e dos entes queridos que moram longe.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As três Marias ou as três de Maria




Ontem, o ciclo de debates sobre arte do Centro Cultural aqui de Sanca recebeu o GUTE - Grupo Urucum de Teatro Experimental. Apresentaram "Maria de Deus". Foi ótimo.

Adoro teatro...e assisto pouquíssimo...

A emoção é imediata. Na peça de ontem, nas nuances de voz da atriz era possível notar a tristeza e amargura da personagem Maria da Terra. As cantigas, lembrando as lavadeiras do Nordeste, pareciam ser mais uma personagem na estória das três mulheres - Maria da Terra, Maria Apaixonada e Maria Mãe.

Depois da peça, o bate-papo com o grupo completou as atividades de ontem. É muito bom ver gente batalhando para realizar seu trabalho - da concepção à montagem tudo é pensado e feito coletivamente. E não é preciso comentar a dificuldade de patrocínio/apoio para as artes em geral.

É um trabalho de formiga, mexer com essa tal de arte - devagar e sempre, coletivamente para ser um pouco menos difícil, tentando levar seu trabalho ao alcance do público.

Voltando à peça, a história das três marias lembrou-me da Triquetra -o símbolo celta que representa as três faces da Grande Mãe - a Virgem, a Mãe e a Anciã, o que, para mim, define a mulher em sua faces ingênua, protetora e prudente, respectivamente.

E pensando bem não somos mesmo assim - essas três faces em uma só criatura feminina?

A peça me fez lembrar também de uma cantiga que faz parte da minha infância - Pedrinha Miudinha. Os figurinos das personagens, as cantigas...


Pedrinha miudinha
Na Aruanda auê
Lajeiro tão grande, tão grande
Na Aruanda auê.
Três pedras,
Três pedras dentro desta aldeia,
Uma é maior, outra é menor,
E a "mais pequena" é que nos alumeia.


A foto é da triquetra que tatuamos - as três filhas de Maria, Pá, Fê e Cá - no ano passado. É a tatoo da "mais pequena".

Ah...Tem mais informações sobre a peça, o GUTE e os encontros no Centro Cultural no Paracatuzum!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Politicamente Correta

Eu tenho algumas preciosidades no meu outro blog, o particular...

Estava atualizando as notícias lá quando me deparei com essa estória de rolar de rir. Por isso resolvi postar aqui...

Tenho outros textos legais lá - quando a coragem (!!!) deixar trago para cá.

Segue o contexto - na época, pouco antes vir pra Sanca de vez, morava e trabalhava em Campinas, numa loja de móveis planejados.


"Medo no Ponto de Ônibus

Outro dia, como sempre, saí da loja e fui pro ponto de ônibus. Quando sentei no penúltimo lugar vago do ponto - a fim de esperar o coletivo - sentou-se ao meu lado um senhor mulambento. Pensei "Não devo me levantar só porque ele está fedido. Não seria correto."
Ele dizia coisas sem sentido como se conversasse com alguém. Falava sobre xadrez. Talvez fosse uma daquelas pessoas que perdem o rumo da vida mas que um dia já tiveram tudo - emprego, casa, família.

Eu o conheço. Fica na porta do Pão de Açúcar pedindo esmolas.

Hoje uma boa alma lhe deu uma lata de leite condensado que ele devorava rapidamente.
Sabe quando a lata é aberta com aqueles abridores antigos e a borda fica toda irregular?
Estava assim. Tive um pouco de medo. Afinal, ele falando sozinho, com uma lata aberta como arma, sentado ao meu lado. Preconceito da minha parte. Que feio! Só porque ele estava com uma lata na mão, era pedinte, falava sozinho, eu já supunha que era perigoso. Me recriminei por dentro.

Enquanto ele falava com o ser imaginário sobre xadrez eu tentava não me incomodar com o seu cheiro e não chamar sua atenção. Olhava perdida para o chão sem conseguir me concentrar em nada que não fosse o homem ao meu lado.

Um ônibus finalmente apareceu...mas não era o meu. Uma moça se levantou e fez sinal.
ele se virou para mim e disse "Tá indo embora. Mulher feia. Não gosto de mulher feia!"

Senti que agora ele conversava com o amigo invisível mas olhava para mim. Eu de lado só pensava que era a posição mais fácil para um golpe fatal - a lata podia atingir a jugular (lembrei-me da minha avó). Não parava de pensar na lata, que coisa feia!

Acabei por refletir sobre uma dúvida que me incomoda - por que acontecem crimes absurdos? daqueles que não têm solução? Será que é porque as pessoas estavam na hora errada no local errado e não ouviram a sua voz interior dizendo SAIA JÁ DAÍ tentando ser politicamente corretas? E adianta ser politicamente correta com a jugular cortada? Já podia ver a manchete num jornal popular - Morta no ponto de ônibus.

E eu ainda sentia que ele falava olhando para mim.
Retribuí o olhar timidamente, tentando manter uma cumplicidade, olhando baixo para não parecer intimidadora nem agressiva.
Então ele começou a falar mais alto e diretamente para mim "Quer morrer? Você quer morrer?"
Pronto! Meu pior pesadelo estava se tornando realidade! O que é que eu faço? Será que agora já posso me levantar sem parecer preconceituosa?

E ele continuou"Quer morrer? Mulher feia? Sai do meu caminho, mulher feia. Não gosto de mulher feia. Sai do meu caminho."

E eu firme no ponto. Não arredei pé.

"Sai do meu caminho, mulher feia"

E o homem finalmente cedeu e se levantou, fugindo - graças aos céus - da mulher feia.

E eu me mantive como sempre - politicamente correta e por enquanto viva."

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Novos Contatos

Este ano me inscrevi em tudo que me pareceu interessante: curso de desenho, ciclo de debates sobre artes, pós em arte, e ainda me enfiei numa turma de ginástica num parque público aqui de Sanca (São Carlos, SP).

Às vezes, morando numa cidade grande, num ritmo de vida mais acelerado não temos tempo de viver tudo o que a cidade nos proporciona. Já moro aqui há dois anos e só agora resolvi me dar essa oportunidade - conhecer a cidade.

De tudo que me propus a fazer só a pós é paga e não se realiza na cidade. Tudo mais é gratuito e de fácil acesso à população. Fiquei particularmente impressionada com a ginástica - professor de educação física, material de apoio (pesos, colchonetes, essas coisas), aulas diárias. Não que nas cidades grandes (minha experiência é em Sampa e Rio) isso não ocorra...mas temos que garantir logo a vaga porque a procura por essas atividades costuma ser grande. Lembro de participar de sorteio após a inscrição para poder fazer natação no Ginásio do Ibirapuera, isso nos anos 80. Aqui consegui entrar na turma de ginástica após o início das aulas.

O bom desses cursos, além de seus conteúdos, claro, é a oportunidade de conhecer gente da cidade...Novos contatos...Novas estórias...Eu me senti um peixe fora d'água aqui, mesmo com a recepção calorosa dos amigos do meu marido. Mas são amigos dele, né? Apesar de ter construído algumas boas amizades na rede dele sentia falta de conhecer gente...Não sei se dá pra entender...
Em que não se fale de construção, de arquitetura, mas sim do dia-a-dia...Se aprende tanto com as conversas sobre o dia-a-dia.

O bom nesses contatos também é a diversidade das pessoas...de todas as idades...de várias realidades de vida diferentes...vindos de vários lugares do País...só no sábado conheci duas cariocas na pós...uma inclusive fez facul no mesmo prédio que eu, na EBA do Fundão...

Lembrei da dona Olga...

Na época da facul ficava ente Rio e Sampa...Numa dessas viagens de ônibus conheci dona Olga...de Recife...estava viajando com a filha e a neta e se sentou ao meu lado...conversamos a viagem inteira, as seis horas de viagem, sobre tudo. Tudo mesmo. Ela me contou sobre a sua vida, a viuvez que não a abateu, ouviu as minhas estórias sobre as minhas inseguranças pós-adolescência ...lá pelas tantas comentou sobre a minha roupa. Achava-me muito nova para me vestir toda de preto...disse-lhe que adorava preto, não me vestia assim sempre, mas adorava a cor. Então ela me falou, quase pedindo desculpas, que devia me vestir de cores alegres, vivas, que isso valorizaria a cor de minha pele...Perguntou se eu usava vermelho. Respondi - nunca...
Não achava que me caía bem...na verdade achava que chamaria muita atenção...
Sei que, depois de seis horas de viagem, cheguei ao Rio ou em Sampa, não me lembro mais quem era o destino, quem era a origem, enfim, comprei uma hering vermelha - básica...
E realmente, salve dona Olga, sinto-me o máximo de vermelho...

Naquela viagem não foi sobre vermelho que aprendi - foi muito mais...não sei nem explicar mas teve muita importância para o momento que passava na época.

E como me lembro cada vez mais das conversas com a minha avó "Glantina". Discordávamos em quase tudo, eu pensava, mas hoje quase todos os dias lembro-me de um ditado, um ensinamento falado por ela. Mas isso é estória para outro dia...

E salve dona Olga!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Feijão Gordo, Dilma e Festa Junina - a semana

A semana foi agitada.

Depois do desabafo da última postagem e de uma reflexão profunda na minha vida, vi-me em um outro estágio. É tão mais fácil quando mudamos o que pode ser mudado e simplesmente aceitamos o que não é possível ser alterado (parece reunião de grupo de ajuda, mas faz sentido). Terminei a semana passada de bem comigo mesma. E em paz com o mundo. E feliz por estar viva e com saúde. E nada melhor para celebrar um bom momento do que ver os amigos.

No último sábado recebemos os amigos pro famoso Feijão Gordo.

Passei o dia comendo e conversando. Comendo e conversando. Foi ótimo.

Pela primeira vez, vimos receita de feijão gordo na net. Tem feijão de tudo quanto é tipo. Algumas são como uma feijoada light - levam quase tudo.

Não sei dar receita, mas vão aí algumas dicas:

Cozinhamos de véspera 1 kg de feijão para seis casais (na pressão com folhas de louro). Reservamos na geladeira.
Cortamos em tiras, também de véspera, 4 maços de couve. Reservamos na geladeira em pote com água.
No dia: fritamos alho, bacon e calabresa e juntamos ao feijão. Temperamos com pouco sal, caldinhos de bacon (2) e pimenta. Para a couve, fritamos alho, cebola e bacon.
Ainda inventei de fazer farofa de verdade (em vez de comprar a pronta) - tentei me lembrar da famosa farofa de alho da minha mãe - manteiga e azeite+alho+bacon+ovo+1kg de farinha de mandioca+pimenta dedo-de-moça (para prestigiar um amigo louco por pimenta).

Das quantidades só me lembro dos quilos - o resto sigo meu senso - dependendo do dia, muito bom.

E aí partimos para a comilança e cervejinha gelada para acompanhar o papo que não estava em dia.
E foi tudo ótimo!!!

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Tenho pensado bastante na ministra. Depois de divulgado o câncer ela perdeu a privacidade de vez. E acho que esta é uma das horas em que se prefere ficar com os amigos e familiares, sem muita badalação.
E lá foi ela pro hospital com dor. E segue procissão de repórteres. E se começa a especulação - ainda é candidata? Não é mais a preferida do Presidente?
Até umas semanas atrás se dizia que o Presidente estava fazendo campanha antes da hora, agora se cobra dele posicionamento sobre o assunto. Ainda é candidata?
Por favor! Será que é isso que queremos saber?
A coluna do Diogo Mainardi (Veja) de 6 de maio comentava a dificuldade de se tratar esse mesmo tipo de câncer de que sofre a ministra na rede pública de saúde. Isso me parece uma pauta mais interessante do que a pura especulação se ela é ou não a candidata do "cara".

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Estamos pensando em organizar uma festa junina. Ainda não sei qual será o menu, ainda estamos procurando o local para o evento. Já nos foi colocada a condição para o sucesso da festa - freezer para as "geladas". Se tudo der certo será a primeira festa junina que organizo. Estou empolgada.

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O corte de cabelo, por questões de trabalho, foi adiado para a próxima semana, sem falta. Sinto-me renovada com um corte de cabelo. É só o que falta para celebrar a nova fase. As lágrimas definitivamente ficaram pra depois (ou quem sabe pra nunca mais, pelo menos pra esse propósito).

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O casamento

Ontem no programa da Marília Gabriela, Marisa Orth citou uma frase que já entrou no meu "caderninho" - A diferença entre o casamento e a prisão é que no casamento não basta pensar na própria refeição, é preciso pensar também na do carcereiro.

De uns dias para cá tenho pensado (e muito) sobre casamento - em geral e no meu em particular principalmente. Outro dia, vendo uma das minhas séries, ouvi uma música que há muito tinha esquecido, Everybody's gotta learn sometime - algo como em "algum momento todo mundo tem de aprender". E, num relacionamento, parece que em algum dia (finalmente!) todos aprenderemos.

Aprenderemos que é preciso aceitar as pessoas como são; que é preciso desistir de mudá-las ou moldá-las conforme nosso gosto, que é preciso aceitar o amor como ele é sem menosprezá-lo ou supervalorizá-lo. Aprenderemos que é preciso saber viver com as limitações do outro e com as nossas próprias limitações em aceitar o outro como ele deseja ser.

Também é sábio admitir quando não se está mais disposto a admitir ou aceitar mais nada. É sábio reconhecer a hora do Basta!

Aí me vem essa frase da Marisa...

Costumo dizer que o fim de um relacionamento se resolve com duas coisas: dois dias de lágrimas e um bom corte de cabelo.

O corte de cabelo marquei para a próxima semana. Já as lágrimas estou adiando. Por enquanto.

sábado, 9 de maio de 2009

Ano da França - Camille



Ainda nas lembranças francesas...

Falando da época da facul, no Rio, da França, lembrei-me de Camille Claudel (1864-1943), a artista francesa. Fui uma das milhares de pessoas (falam em 120000) que viram a exposição do MAM em 1998. E já tinha visto a mesma exposição em Sampa, no final do ano anterior. (Era a vantagem de estar meio cá meio lá, na época).

Saí da exposição mais encantada com Camille do que já era. Meu primeiro contato com sua vida e obra foi com o filme, que leva seu nome, de 1988. Não me lembro quando ao certo o assisti mas fiquei marcada pela estória de amor e abandono ali retratada.

Há uma exposição percorrendo o país até junho mas não sei onde exatamente está agora. Iam ficar nos CCBB's.

Para aqueles que gostam de arte, há um artigo sobre Camille da Prof. Ermelinda Ferreira que decifra um pouco a sua obra.

Imagem - L'Âge Mûr (http://www.camilleclaudel.asso.fr/pageweb/agemur.html)

2009 - Ano da França no Brasil

Todo ano me prometo que vou retomar o meu francês.
Sabe, é uma das minhas resoluções de ano novo.

Quando criança, ainda na escola, me jurava que um dia iria à França - a trabalho, para estudar, ou mesmo morar - nunca tive medo de estar longe da família. Aos 8 anos, essa já era uma idéia fixa que foi perdendo força conforme eu crescia - fazia parte daqueles sonhos da infância que não levamos a sério com o passar dos anos.

Aprendia francês na escola. E junto com a língua muito da cultura me foi possível conhecer.

Lembro das músicas, dos desenhos infantis - Colargol, Les Stroumphs, Voyage, Voyage. Foram 8 anos absorvendo tudo aquilo e depois vendo tudo ficar no mundo das boas lembranças. Na época da facul ainda mantinha contato com a língua através dos textos acadêmicos.

Ainda penso em conhecer um dia a França - deixando Paris por último, percorrendo um pouco do interior, um pouco da riviera.

Com o "Ano da França no Brasil" ficou mais fácil eu me lembrar do meu francês.

Tem um blog legal na veja.com, do Antônio Ribeiro. Vale a pena ver as postagens mais antigas.
A de 13 de abril sobre intolerância religiosa no cotidiano dos jovens franceses traz um vídeo muito bom.

Sem querer, outro dia descobri o Francoclic, uma página do Ministério da Educação para os interessados na língua e cultura francesa de forma didática. É interessante para quem está um pouco afastada da língua, como eu.

Meu inglês vai do macarrônico ao básico mas vejo tranquilamente uma das minhas séries favoritas no som original - sem problemas. Quando vejo com legendas, percebo que o tradutor amenizou aqui ou ali uma expressão ou que suprimiu uma frase inteira por falta de tempo/ espaço. Já o TV5, canal a cabo francês na NET, tenho de me esforçar para assistir. Não por não entender a língua, ainda consigo compreender razoavelmente, mas por falta de hábito.

Mas o Ano da França "taí" gente!

P.S.: Preste atenção no vídeo Voyage, Voyage. Totalmente anos 80.

Um início

Este é meu primeiro blog público. Já tenho um diário de bordo pessoal aberto para poucos.

Conforme postei no meu diário pessoal, estou tentando retomar o hábito de escrever.

Outro dia vendo o Saia Justa, vi Mônica Waldvogel falando como gostava de colocar seus pensamentos à prova, compartilhando-os com amigos seletos - isso a fazia refletir sobre eles e rever seus conceitos.

Achei interessante. Costumava gostar de fazer isso - conversar, trocar idéias, rever conceitos. Já não fazia isso há tempos.

Realmente gosto da troca, de poder chegar certa de algo e sair com dúvidas sadias ou certezas à espera do próximo desafiante. Faz parte do crescimento do meu ser.

Por várias razões tenho visto várias das minhas certezas desmoronarem. É como se fosse o momento das decisões - depois de muito pensar, de rever no meu íntimo sentimentos e atitudes que já não mais se justificam, é preciso partir para o reajuste.

Uma amiga me sugeriu o blog público. Acho que escrever vai me ajudar a colocar as idéias em ordem. Então vamos lá - esse foi o primeiro contato.